Não durmo
Não pisco
Não fecho os olhos
Na esperança cega e um tanto inútil de que tal negação me iluda da realidade das visões dos seus lábios beijando outros lábios
Das suas mãos tomando outras mãos
Do teu corpo em profusão a outro corpo
Da sua alma em amor a outra alma.
E desconfio interminavelmente dos seus dizeres de amor
Tão puros e sinceros quanto a sua natureza fugaz e indiferente
Que esquece sem perceber a lástima das memórias
E apaga a paixão sufocando-a com braços de amor com dignidade de ódio malévolo
Enquanto ponho-me a afundar em sangue de meu coração despedaçado por palpitantes apelos mudos
Com suspiros nunca concretizados pelos pulmões cravejados de dúvidas
Com lágrimas nunca choradas por olhos tonteados de incertezas
E com palavras nunca ditas por uma alma frágil
E enxuta de emoções covardes de um ser triste e corrompido
Pelas recordações das felicidades (in)existentes.
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