terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Musas

toco-te o corpo com meus dedos frígidos
tremendo à aproximação da tua aura
campo magnético invisível e letal
sinto o corpo, mas não a alma
quero a alma, mas só tenho o corpo
variáveis auto-anulantes
variáveis auto-destrutivas
e te exploro, consumo, estupro
arranco as lágrimas, os gemidos, o urro final de deleite sereno
enquanto a alma se mudifica e observa inexpressa
pois o corpo,
o corpo é o que menos importa.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Da Loucura

grita, demônio
pede tua parte do bolo
não implore; mande
mande que a razão é fraca
e saia, razão!
vá para longe, que tu não és mais bem-vinda aqui
quero arte, quero poesia
poesia que saia da alma, e que ecoe pelo submundo
infestada de fantasmas
alimentada de loucura
sinfonia infernal do ser
a arte final espírito.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Contra o Tempo

perdidos nos teus ponteiros alucinados
corremos na escuridão infinita
trombando uns com os outros
nos atropelando e nos massificando

desculpa, estranho, desculpa
mas é preciso correr, é preciso achar a saída
antes que eu e tu acabemos por enlouquecer
mas que se for para acontecer, que sejas tu
e não eu

e assim, trancafiados nos teus minutos eternos
nos abandonamos
nos destruimos
nos (des)humanizamos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Instantâneo do Infinito

em cada esquina das ruas desarmadas
caço a tua presença
busca dilacerante de corpo e alma
ser e divino unidos por um momento
tão instantâneo e poderoso quanto a infinidade
mas ao mesmo tempo tão frágil quanto a lembrança que o cria

e nas boates, nos postos, nos bares
vou te procurar, clamar, achar
tentando em vão materializar a eternidade do que me resta:
o teu sorriso petrificado
os teus olhos desvairados.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Carnaval

das emoções perdidas do ser
faz-se a poesia dos corpos em coro
aprisionados dentro de ruas de paralelepípedos
e libertos dentro do céu da alma

duas garrafas de cerveja
um ou dois goles da cachaça
ah, sim,
um pouco mais que duas garrafas de cerveja!

agora, cante, ser!
agora, cante, povo!
cante que a vida é mais que perdição
cante que o Tempo é mais que destruição

agora, viva, ser!
e agora, viva, povo!
viva que o amor nem sempre é eterno
viva que os dias ainda são de carnaval.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Areia Congelada

os segundos andam
os minutos correm
as horas empilham-se
mas estagnado o relógio do ser está
e os dias se não se sucedem, somam-se
um mais um, mais um, mais um;
valores iguais para cartas diferentes

segunda vira terça, terça vira quarta
calendário prossegue, e calendário acaba
porém toda a minha semana é domingo
domingo vira domingo, que virará domingo
e assim congela-se o Tempo
talvez não o seu, mas apenas o meu.