eu preciso de uma
viagem
mas aliás, quem não precisa
de algo para tirar da doce rotina
(doce? doce uma ova!
amarga, gosto de tempo escorrendo pela garganta
ácida pelas entranhas)
quem não precisa de um algo qualquer
que gere o caos, quebre a inércia do lago calmo
desalinhe o cosmo de todos os dias
dia? quem precisa de dia, afinal?
ontem, hoje, amanhã, tudo projétil
da mesma pistola universal
projetada para seis bilhões de cabeças de gado
com cheiro de pólvora para as que se foram hoje
você bem sabe, baby, que todos se vão
em algum momento
e com você, ou comigo, não será nada
diferente
quem vive sempre pode morrer
fétido clichê que nos rouba a noite
vamos fugir para nosso sonhos, então!
vamos sim
vamos para lá, onde o Tempo não
existe
o Tempo lá é nosso serviçal
(ha-ha-ha-ha, ilusão!)
onde se pode misturar os três tempos
e mais o de tudo que existe
sem álcool, sem drogas, sem alucinação
apenas um pouco de desprendimento com a vida
apenas um pouco de loucura genuína
para tornar tudo ao menos um pouco mais
divertido
e vamos viver nos nossos sonhos
a ilusão de termos o comando do que há
lembra-se de quando querias
ser astronauta? de quando querias
mudar o mundo? de quando querias
morrer pela causa?
o que houve com tudo o que sonhavas, amigo
tudo morreu?
ou será que os dias vieram e a utopia se trocou
por realidade
e indigestão virou
indiferença?
e agora seu sonho é o que? a vida calma do campo
vaquinhas, uma fazendo bonita
família linda, esposa feliz, cachorro babão
um porco, quem sabe, um porco bem rosado e sem lama
um lugar para fugir do Tempo
ontem, hoje e amanhã sejam nada mais
que a mesma coisa, o mesmo ar, a mesma grama
nada mais que umas estações mudando hora sim, hora não
vamos ali no supermercado comprar
mais uma lata de sonho feliz
nada de revolução, utopia, loucura
liberdade
apenas mais um sonho feliz enlatado
com data de validade para deixarmos apodrecer
dentro de nós.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Só a Morte Goza
somos as crias de uma geração fracassada
os frutos mesquinhos de algo que se foi
ideologia não temos
sangue não queremos
nem cabeças rolando, nem asas voando
queremos tanto o carro quanto a paz
a harmonia de se viver drogado de indiferença
a arte de nunca sentir o mundo
levados pela maré de neón mc donaldiana
carnes super produzidas, cebolas quânticas
água cocalonesca, frangos perdiganos
afogados até o talo de nossos rabos em logotipos
sem sentirmos dor
anestesiados de vaselina virtual
acreditando em deuses mortais da tv fama
xingando demônios do jornal nacional
e esquecendo da mão suprema do Tempo
estilhaçando nossos pulmões enquanto gememos e rimos
com as mulheres da indústria pornô no teatro de gozar
sem jamais perceber que só a Morte que goza no final.
os frutos mesquinhos de algo que se foi
ideologia não temos
sangue não queremos
nem cabeças rolando, nem asas voando
queremos tanto o carro quanto a paz
a harmonia de se viver drogado de indiferença
a arte de nunca sentir o mundo
levados pela maré de neón mc donaldiana
carnes super produzidas, cebolas quânticas
água cocalonesca, frangos perdiganos
afogados até o talo de nossos rabos em logotipos
sem sentirmos dor
anestesiados de vaselina virtual
acreditando em deuses mortais da tv fama
xingando demônios do jornal nacional
e esquecendo da mão suprema do Tempo
estilhaçando nossos pulmões enquanto gememos e rimos
com as mulheres da indústria pornô no teatro de gozar
sem jamais perceber que só a Morte que goza no final.
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