somos as crias de uma geração fracassada
os frutos mesquinhos de algo que se foi
ideologia não temos
sangue não queremos
nem cabeças rolando, nem asas voando
queremos tanto o carro quanto a paz
a harmonia de se viver drogado de indiferença
a arte de nunca sentir o mundo
levados pela maré de neón mc donaldiana
carnes super produzidas, cebolas quânticas
água cocalonesca, frangos perdiganos
afogados até o talo de nossos rabos em logotipos
sem sentirmos dor
anestesiados de vaselina virtual
acreditando em deuses mortais da tv fama
xingando demônios do jornal nacional
e esquecendo da mão suprema do Tempo
estilhaçando nossos pulmões enquanto gememos e rimos
com as mulheres da indústria pornô no teatro de gozar
sem jamais perceber que só a Morte que goza no final.
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