através de todos os dias
vagando por corredores infinitos cheios de portas
trancadas
vazios cheios de almas perdidas
que olham umas às outras reconhecendo no negro dos olhos
a mesma ausência da razão, a mesma falta do sentido
os mesmos buracos infinitos rumo ao nada que o Tempo devora
com boca de baleia, caninos de leão,
espírito de burguês diante do ouro
veracidade de humano frente ao poder de mandar
desmandar, humilhar, possuir
consumir, estuprar, os sonhos alheios
até que reste uma migalha de esperança, só uma apenas
para dignificar a vida que ainda resta
pois a morte não dá poder a quem manda
e muito menos o ouro a quem o cobiça
a morte apenas alivia a dor daquele que sofre
liberta aqueles que da liberdade foram privados
por terem os sonhos estraçalhados.
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