num dos devarios que me rompem as noites
conto as minhas quase incalculáveis paixões
ignoro aquelas feitas nos ônibus ao retornar dos encontros
malfeitos e inacabados com as outras
senão as horas da noite seriam insuficientes
e eu romperia a fronteira dos dias juntando-as
para ao fim esquecê-las
e um a um os rostos se somam nas horas do relógio
cada um deles no momento em que se foram
caíram em mim para quebrar ao fundo
um, dois, três, quatro,
agora já frações de minutos para que encaixem todas
e se atribuo um número a cada, submeto-as a matemática
e a racionalidade numeral
perceber que o um transforma-se em meio
divido as horas de cada uma de vocês friamente
como manda o mundo de quem abandona o passado
mas o zero permanece intocado
converso com livros de álgebra e procuro na razão
um método de te fragmentar e despedaçar
como todas as outras já foram
porém tu, tu és o maldito número vazio
que a tudo sobrevive
que em tudo habita
na inexistência da forma material
tanto indivisível pelos outros
tanto indivisível pelo meu tempo-espaço
o primeiro dos números inteiros
e talvez o único dos reais.
uau!!!!!!! nossa!!!!!
ResponderExcluirDessa vez nem sei o que dizer...espero que esse numero vazio, se de fato existe, te perceba, te olhe, te corresponda! Pq esse sentimento aí, parece enigmático, dramático....intenso! Boa sorte com seu novo amor, Lucas! Um beijo.
Gostei, Lucas, dessa antigeometria existencial e dessa dimensão temporal que escapa ao ponteiro dos relógios e à quantificação matemática.
ResponderExcluirJosé Antônio Cavalcanti