caminhar e se jo-
gar na lambareda
da noite adentro
ela se foi sem se
despedir ou sem um último
sorriso
dançou na
lua poente para cair
junto às trevas
queria ter lhe dito
um adeus
ou tocado seus olhos
com meus lábios
uma única e última
vez
mas nem na morte e nem
na vida há
tempo para despedidas
o tempo esconde coisas.
domingo, 23 de dezembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
Indivisível
num dos devarios que me rompem as noites
conto as minhas quase incalculáveis paixões
ignoro aquelas feitas nos ônibus ao retornar dos encontros
malfeitos e inacabados com as outras
senão as horas da noite seriam insuficientes
e eu romperia a fronteira dos dias juntando-as
para ao fim esquecê-las
e um a um os rostos se somam nas horas do relógio
cada um deles no momento em que se foram
caíram em mim para quebrar ao fundo
um, dois, três, quatro,
agora já frações de minutos para que encaixem todas
e se atribuo um número a cada, submeto-as a matemática
e a racionalidade numeral
perceber que o um transforma-se em meio
divido as horas de cada uma de vocês friamente
como manda o mundo de quem abandona o passado
mas o zero permanece intocado
converso com livros de álgebra e procuro na razão
um método de te fragmentar e despedaçar
como todas as outras já foram
porém tu, tu és o maldito número vazio
que a tudo sobrevive
que em tudo habita
na inexistência da forma material
tanto indivisível pelos outros
tanto indivisível pelo meu tempo-espaço
o primeiro dos números inteiros
e talvez o único dos reais.
conto as minhas quase incalculáveis paixões
ignoro aquelas feitas nos ônibus ao retornar dos encontros
malfeitos e inacabados com as outras
senão as horas da noite seriam insuficientes
e eu romperia a fronteira dos dias juntando-as
para ao fim esquecê-las
e um a um os rostos se somam nas horas do relógio
cada um deles no momento em que se foram
caíram em mim para quebrar ao fundo
um, dois, três, quatro,
agora já frações de minutos para que encaixem todas
e se atribuo um número a cada, submeto-as a matemática
e a racionalidade numeral
perceber que o um transforma-se em meio
divido as horas de cada uma de vocês friamente
como manda o mundo de quem abandona o passado
mas o zero permanece intocado
converso com livros de álgebra e procuro na razão
um método de te fragmentar e despedaçar
como todas as outras já foram
porém tu, tu és o maldito número vazio
que a tudo sobrevive
que em tudo habita
na inexistência da forma material
tanto indivisível pelos outros
tanto indivisível pelo meu tempo-espaço
o primeiro dos números inteiros
e talvez o único dos reais.
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Sem Envelhecer
o Tempo que tínhamos em comunhão
restou apenas como o eu e o tu
sem verbo para nos conjugar nem posicionar
perdidos na esfera em que não há tempo
e tampouco espaço:
a morte em sua plena essência está na ausência
de tudo e todo e qualquer universo
que se permita existir e movimentar;
apenas o nós congelado se deteriorando
sem envelhecer ou apodrecer
na memória de quem ainda se lembra.
restou apenas como o eu e o tu
sem verbo para nos conjugar nem posicionar
perdidos na esfera em que não há tempo
e tampouco espaço:
a morte em sua plena essência está na ausência
de tudo e todo e qualquer universo
que se permita existir e movimentar;
apenas o nós congelado se deteriorando
sem envelhecer ou apodrecer
na memória de quem ainda se lembra.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Erro Bíblico
antes que me esqueça do verso não-proclamado
tenho de contrariar a minha relutância
e peço de antemão que não se sintas
desiludida ou tampouco
destituida
mas é necessário dizer a verdade que há
mesmo em um jardim de mentiras:
que não foste tu e teu desabrochar que me furtaram a inocência das palavras
antes ruptura de esperança no céu da noite
agora fenda de loucura no poço do inferno
perdi-a antes de ti, invariavelmente
na primeira vez que um corpo tocou o outro na solidão
e o prazer fincou garras na pele nua, e erra a bíblia ao crer
que primeiro eva se perdeu e assim o fez com adão
pois do outro lado da árvore perdida jazia largado ao chão
um miolo de maçã já comida.
tenho de contrariar a minha relutância
e peço de antemão que não se sintas
desiludida ou tampouco
destituida
mas é necessário dizer a verdade que há
mesmo em um jardim de mentiras:
que não foste tu e teu desabrochar que me furtaram a inocência das palavras
antes ruptura de esperança no céu da noite
agora fenda de loucura no poço do inferno
perdi-a antes de ti, invariavelmente
na primeira vez que um corpo tocou o outro na solidão
e o prazer fincou garras na pele nua, e erra a bíblia ao crer
que primeiro eva se perdeu e assim o fez com adão
pois do outro lado da árvore perdida jazia largado ao chão
um miolo de maçã já comida.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
O Gozo dos Anjos
cada instante preciso e perdido dentro do nosso
romance esquecido de amor
apenas palavras ditas e repetidas ao som
da transmutação de irrealidade em verdade
era um punhado de areia arremessado aos sete céus do inferno
lembrar que rolamos loucos de sexo em camas negras
cheirando a carvão queimado
fincando unhas de granito na epiderme
confundindo o fogo com sangue dos nossos corpos
gritando ao diabo que parasse o fluxo e refluxo do desejo divino
de querer roubar de deus e seus doze arcanjos
o gozo dos anjos.
romance esquecido de amor
apenas palavras ditas e repetidas ao som
da transmutação de irrealidade em verdade
era um punhado de areia arremessado aos sete céus do inferno
lembrar que rolamos loucos de sexo em camas negras
cheirando a carvão queimado
fincando unhas de granito na epiderme
confundindo o fogo com sangue dos nossos corpos
gritando ao diabo que parasse o fluxo e refluxo do desejo divino
de querer roubar de deus e seus doze arcanjos
o gozo dos anjos.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
O Vinho e o Ralo
calce a tua bota negra engrachada e polida
agora levante bem a perna e se prepare
pois eu, eu já estou preparado, apesar de não ter
escudo de proteção ou armadura de gladiador
só mãos frágeis que nunca sofreram os cacos de todos os dias
o aço e o ferro do mundo de quem sofre a verdadeira dor
apenas habituadas a buscar as tuas num breu cínico
misto de ilusão com sarcasmo negro
palpitá-las na cegueira do paraíso astral
para seguí-las até o inferno das labaredas
dos teus olhos desvairados
tão inúteis ao trabalho quanto para parar
a tua pisada santa
quebre-as ao meio, baby baby
elas não te servem mais
pois bem sabes que sempre terás outras
e quando precisar destas fracas mãos de poeta
virás cheia de beijos e promessas sem fundo
cheques entupidos de infinitos
e elas te buscarão na total insanidade de quem quer
o santo remédio
(e quanto mais tu pisaras? quanto
mais pisaras? quanto mais
pisaras em mim, você que era
anjo?)
para que a chibata, meu amor?
já tiraste a brancura da minha pele marfim
precisas de sangue para ser feliz, bem o sei
sempre soube, tu que caminhavas pelas ruas
deixando corpos estendidos pelo caminho
e mentindo que o que gotejava da saia azul-anil
era o teu próprio sangue de coração partido
desiludida com as rosas estendidas, as palavras ditas
enquanto os indigentes se desvaindo em vinho maldito
apodrecem na escuridão
das tuas noites bem calculadas
e agora que já tens o sangue e a dor
se fundindo pelo assoalho da cozinha enquanto
o bolo assa no fogão ali ao lado
termine o trabalho
humidifique teus lábios e se prepare
pois eu já estou preparado, embora nada tenha
a me proteger
e cuspa sobre todo o vinho ali derramado
que se esvai para o ralo.
agora levante bem a perna e se prepare
pois eu, eu já estou preparado, apesar de não ter
escudo de proteção ou armadura de gladiador
só mãos frágeis que nunca sofreram os cacos de todos os dias
o aço e o ferro do mundo de quem sofre a verdadeira dor
apenas habituadas a buscar as tuas num breu cínico
misto de ilusão com sarcasmo negro
palpitá-las na cegueira do paraíso astral
para seguí-las até o inferno das labaredas
dos teus olhos desvairados
tão inúteis ao trabalho quanto para parar
a tua pisada santa
quebre-as ao meio, baby baby
elas não te servem mais
pois bem sabes que sempre terás outras
e quando precisar destas fracas mãos de poeta
virás cheia de beijos e promessas sem fundo
cheques entupidos de infinitos
e elas te buscarão na total insanidade de quem quer
o santo remédio
(e quanto mais tu pisaras? quanto
mais pisaras? quanto mais
pisaras em mim, você que era
anjo?)
para que a chibata, meu amor?
já tiraste a brancura da minha pele marfim
precisas de sangue para ser feliz, bem o sei
sempre soube, tu que caminhavas pelas ruas
deixando corpos estendidos pelo caminho
e mentindo que o que gotejava da saia azul-anil
era o teu próprio sangue de coração partido
desiludida com as rosas estendidas, as palavras ditas
enquanto os indigentes se desvaindo em vinho maldito
apodrecem na escuridão
das tuas noites bem calculadas
e agora que já tens o sangue e a dor
se fundindo pelo assoalho da cozinha enquanto
o bolo assa no fogão ali ao lado
termine o trabalho
humidifique teus lábios e se prepare
pois eu já estou preparado, embora nada tenha
a me proteger
e cuspa sobre todo o vinho ali derramado
que se esvai para o ralo.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Que Sejas Livre
se escancaro a porta, quebro a maçaneta
para que nunca mais ela se feche
e digo que vá se quiseres
saibas que é apenas charme de mentiroso
bem sei no que vamos pisar
e no breu não se enxerga nem fogo
e nem gelo
mas se abro a porta é apenas por saber
que ela sempre assim esteve
não é desejo de te ver ir
nem vontade minha de ir
estás aberta pois não suportaria te ver
trancafiada no casulo da minha frágil
inexistência
rodopiando junto a meu corpo
nos cacos das garrafas de vinho vazias
com uvas palpitando sangue
amargamente podre
e digo que saia por ela para viver
as danças e os beijos
que não sou apto a te dar
sempre no intuito egoísta de crer que não irás
que eu e tu já somos
imunes aos cacos de vidro
espalhados pelo chão.
para que nunca mais ela se feche
e digo que vá se quiseres
saibas que é apenas charme de mentiroso
bem sei no que vamos pisar
e no breu não se enxerga nem fogo
e nem gelo
mas se abro a porta é apenas por saber
que ela sempre assim esteve
não é desejo de te ver ir
nem vontade minha de ir
estás aberta pois não suportaria te ver
trancafiada no casulo da minha frágil
inexistência
rodopiando junto a meu corpo
nos cacos das garrafas de vinho vazias
com uvas palpitando sangue
amargamente podre
e digo que saia por ela para viver
as danças e os beijos
que não sou apto a te dar
sempre no intuito egoísta de crer que não irás
que eu e tu já somos
imunes aos cacos de vidro
espalhados pelo chão.
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