se escancaro a porta, quebro a maçaneta
para que nunca mais ela se feche
e digo que vá se quiseres
saibas que é apenas charme de mentiroso
bem sei no que vamos pisar
e no breu não se enxerga nem fogo
e nem gelo
mas se abro a porta é apenas por saber
que ela sempre assim esteve
não é desejo de te ver ir
nem vontade minha de ir
estás aberta pois não suportaria te ver
trancafiada no casulo da minha frágil
inexistência
rodopiando junto a meu corpo
nos cacos das garrafas de vinho vazias
com uvas palpitando sangue
amargamente podre
e digo que saia por ela para viver
as danças e os beijos
que não sou apto a te dar
sempre no intuito egoísta de crer que não irás
que eu e tu já somos
imunes aos cacos de vidro
espalhados pelo chão.
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Última Música
na explosão do crepúsculo mal dividido
mais noite que dia
dançamos a nossa balada de desconhecidos
giros e piruetas sofridos
as mãos solenes e tristres se apalpando sem nunca
se encontrar
afastadas pelo infinito da proximidade
o eterno abismo da carícia nunca concretizada
nos perdendo no pavio da vela queimando
o tocar nunca concretizado num vinil arranhado
o bailar tão cheio de amor e desejo que jamais pertenceria
a dois amantes da sociedade
mas somente aos indigentes das noites
estranhos iludidos na madrugada
e a música acaba, o som se desfaz
os olhos que jamais se abrem para se olhar e ver
um na íris do outro
as cores do crepúsculo a morrer.
mais noite que dia
dançamos a nossa balada de desconhecidos
giros e piruetas sofridos
as mãos solenes e tristres se apalpando sem nunca
se encontrar
afastadas pelo infinito da proximidade
o eterno abismo da carícia nunca concretizada
nos perdendo no pavio da vela queimando
o tocar nunca concretizado num vinil arranhado
o bailar tão cheio de amor e desejo que jamais pertenceria
a dois amantes da sociedade
mas somente aos indigentes das noites
estranhos iludidos na madrugada
e a música acaba, o som se desfaz
os olhos que jamais se abrem para se olhar e ver
um na íris do outro
as cores do crepúsculo a morrer.
De Fora do Paraíso
desconectas sem desligar o nosso espaço
enquanto falta a eletricidade
da qual dependíamos invariavelmente
o fluxo se rompe
como estranhos trocamos palavras
na semi-escuridão do mundo que abandonamos
regressar ao lar de nossas vidas
calmas e pacatas
você sendo ao fim feliz, perdida
dentro das suas irrefutáveis loucuras de todos os dias
eu a rodar pelas ruas da cidade viva
no teatro de existir sem paixão
a poesia se esvaindo pelos meus olhos de peixe
morto
buscando em outros olhares aquele brilho
significante de sentido e ausente de sentido
salvador e pecaminoso, transbordante
de desejo de palavras e versos, ideias meio acabadas
ideias mal finalizadas
que perfura a casca, recria a infância
puro e pecaminoso, sem ser Eva
pois eu, eu não sou Adão, nem nunca serei
para merecer uma filha do paraíso.
enquanto falta a eletricidade
da qual dependíamos invariavelmente
o fluxo se rompe
como estranhos trocamos palavras
na semi-escuridão do mundo que abandonamos
regressar ao lar de nossas vidas
calmas e pacatas
você sendo ao fim feliz, perdida
dentro das suas irrefutáveis loucuras de todos os dias
eu a rodar pelas ruas da cidade viva
no teatro de existir sem paixão
a poesia se esvaindo pelos meus olhos de peixe
morto
buscando em outros olhares aquele brilho
significante de sentido e ausente de sentido
salvador e pecaminoso, transbordante
de desejo de palavras e versos, ideias meio acabadas
ideias mal finalizadas
que perfura a casca, recria a infância
puro e pecaminoso, sem ser Eva
pois eu, eu não sou Adão, nem nunca serei
para merecer uma filha do paraíso.
terça-feira, 24 de julho de 2012
Para Além do Mundo
sob o luar choramos nossas mágoas
de amantes desiludidos
decapitados pelo tempo que nunca tivemos
nunca teríamos
restrito apenas a noites frias
em leitos solitários
na irreal realidade de vozes eletrônicas
quebrando o espaço
sem nunca desfazer a distância
sonhando acordados enquanto o dia amanhecia
olhando para o relógio sempre a lembrar
de que o Tempo não pára
nem para as almas apaixonadas
e nos vendíamos ilusões todos os dias
de escolhas nunca feitas
promessas de olhares perdidos
na bestialidade do som e fúria do mundo
que criávamos sem poder bancar
rodopiando num universo finito
eu fluindo
você brilhando
mas ambos se esquecendo
de que ninguém voa ao redor do Sol.
de amantes desiludidos
decapitados pelo tempo que nunca tivemos
nunca teríamos
restrito apenas a noites frias
em leitos solitários
na irreal realidade de vozes eletrônicas
quebrando o espaço
sem nunca desfazer a distância
sonhando acordados enquanto o dia amanhecia
olhando para o relógio sempre a lembrar
de que o Tempo não pára
nem para as almas apaixonadas
e nos vendíamos ilusões todos os dias
de escolhas nunca feitas
promessas de olhares perdidos
na bestialidade do som e fúria do mundo
que criávamos sem poder bancar
rodopiando num universo finito
eu fluindo
você brilhando
mas ambos se esquecendo
de que ninguém voa ao redor do Sol.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Desejos Virtuais
pegamos o melhor que tínhamos
e apostamos em mesas virtuais
ocultamos verdades apenas
para criar realidades
mesmo sabendo que só verdades
criam realidades
um pouco de passado imaginário
presente dramatizado
e futuro idealizado
enquanto dançávamos na infinita inconstância
dos nossos sonhos mal formulados
tocando olhares cheios de medo e receio
brilhando de vontade
e nos entregando um ao outro dentro da noite
que nunca compartilhamos
sendo apenas presentes ausentes
gritando em códigos binários inteligíveis
o quanto queríamos
o quanto eu queria
que você estivesse aqui.
e apostamos em mesas virtuais
ocultamos verdades apenas
para criar realidades
mesmo sabendo que só verdades
criam realidades
um pouco de passado imaginário
presente dramatizado
e futuro idealizado
enquanto dançávamos na infinita inconstância
dos nossos sonhos mal formulados
tocando olhares cheios de medo e receio
brilhando de vontade
e nos entregando um ao outro dentro da noite
que nunca compartilhamos
sendo apenas presentes ausentes
gritando em códigos binários inteligíveis
o quanto queríamos
o quanto eu queria
que você estivesse aqui.
Cacos de Memória
me afundo nas tralhas do dia a dia
tudo jogado e espalhado
um braço direito aqui, o esquerdo
em outro lugar
e a cabeça perigrinando solta
pisando em cacos de histórias quase esquecidas
sangrando
sangrando
e as memórias empilham-se nos cantos
presentes nunca dados
poemas nunca lidos
sonhos nunca vividos
tudo perdido na fluidez de uma mente
que beira o caos
tudo abandonado sem sentido na grandeza
do espaço-tempo.
tudo jogado e espalhado
um braço direito aqui, o esquerdo
em outro lugar
e a cabeça perigrinando solta
pisando em cacos de histórias quase esquecidas
sangrando
sangrando
e as memórias empilham-se nos cantos
presentes nunca dados
poemas nunca lidos
sonhos nunca vividos
tudo perdido na fluidez de uma mente
que beira o caos
tudo abandonado sem sentido na grandeza
do espaço-tempo.
sábado, 14 de julho de 2012
Olhos Paralelos
como seres humanos teimávamos em crer
que tudo podíamos vencer
que o Tempo não seria senhor
que comandavámos aquilo que tínhamos
ou achávamos ter
parar o Tempo, congelar a areia, quebrar o relógio
tudo ilusão
como se noite e dia fossem linhas paralelas
criávamos vidas paralelas
não percebíamos que as linhas paralelas
não existem para olhos humanos
que por mais paralelos que estejam
cruzam a tudo e todos
e se deixam cruzar.
que tudo podíamos vencer
que o Tempo não seria senhor
que comandavámos aquilo que tínhamos
ou achávamos ter
parar o Tempo, congelar a areia, quebrar o relógio
tudo ilusão
como se noite e dia fossem linhas paralelas
criávamos vidas paralelas
não percebíamos que as linhas paralelas
não existem para olhos humanos
que por mais paralelos que estejam
cruzam a tudo e todos
e se deixam cruzar.
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