quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Sobre o Veneno da Flor

mesmo que do amor se faça a dor
cultivo a flor dentro de mim
deixo-a florescer, crescer. desaflorar
viver e perfumar
mesmo sabendo que um dia ela há de morrer
e se envenenará
e talvez todo o galho acabe por envenenar
sem critério, sem escolha
não há vontade ou razão: há apenas natureza em seu ciclo
de morte e vida
contudo, ainda deixo-a viver, e ainda a nutro
pois mesmo que tudo seja um ciclo
pois mesmo que a morte seja natureza
os produtos da memória se mantém
sem veneno que os envenenem.

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