descontrole é lei
insanidade é mandamento universal
digo o que penso, não o que sou
são inúmeras as partículas do que tantos conhecem que me movimentam
rumo aos caminhos desconhecidos do meu próprio Eu
e por mais que eu vá mais fundo, afasto-me de mim mesmo
me perco dentro dos meus múltiplos caminhos internos
me deixo levar pelas correntezas de hidrocarbonetos alcóolicos
e me saturo na química primária
na mesma proporção
em que sepulto a melhor parte do meu Eu
dentro da minha pior parte.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Sobre um Coração em Divisão
o seu amor se fragmenta em um
em dez
em cem
em mil
em todo o infinito se possível
e tantas são as parcelas dele
tantas, tantas, tantas,
tantas dadas a um
tantas dadas a outro
enquanto finjo me contentar com o infinito dividido pelo infinito
do que resta do seu amor
e seus inúmeros zeros pós-vírgula.
em dez
em cem
em mil
em todo o infinito se possível
e tantas são as parcelas dele
tantas, tantas, tantas,
tantas dadas a um
tantas dadas a outro
enquanto finjo me contentar com o infinito dividido pelo infinito
do que resta do seu amor
e seus inúmeros zeros pós-vírgula.
Sobre o Atual
as lembranças me sufocam como braços divinos
esperneio, grito, choro
imploro para que elas parem, e para que tudo desapareça
como se nunca tivesse existido
como se nunca fosse existir
enquanto isso, me consumo de dentro pra fora
enveneno a alma, corrompo os sentidos, corto a carne
arremesso meu ser no travesseiro e deixo-o afundar nas penas dos anjos
em tentativa ignorante de me anular, de me esquecer
e de esquecer tu também
porém, não consigo, e assim me deixo levar pela correnteza dos dias
deixo-me apagar pelo Tempo, sem faca levantar
e sem luta declarar
virando fantasma, virando semi-ser, virando semi-algo
qualquer coisa que seja translúcida no presente
e morta no passado.
esperneio, grito, choro
imploro para que elas parem, e para que tudo desapareça
como se nunca tivesse existido
como se nunca fosse existir
enquanto isso, me consumo de dentro pra fora
enveneno a alma, corrompo os sentidos, corto a carne
arremesso meu ser no travesseiro e deixo-o afundar nas penas dos anjos
em tentativa ignorante de me anular, de me esquecer
e de esquecer tu também
porém, não consigo, e assim me deixo levar pela correnteza dos dias
deixo-me apagar pelo Tempo, sem faca levantar
e sem luta declarar
virando fantasma, virando semi-ser, virando semi-algo
qualquer coisa que seja translúcida no presente
e morta no passado.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Sobre o Fim Eterno
O fim se cria, recria, prorroga, adormece
Se rejuvenesce pelo passado
Se alimenta da raiva
Se sabota no presente.
E se nos jogamos em seu abismo
De mãos dadas ou separadas, tanto importa,
O Tempo se congela, e nos congela também
E a gravidade age em reverso;
Asas criamos.
E se realmente em queda livre vamos,
O abismo faz-se infinito
A gravidade fortalece ou o Tempo acelera, tanto importa,
Voamos sem asas.
O fim existe e não existe
Se constrói e descontrói
Eternamente acabáveis somos nós.
Se rejuvenesce pelo passado
Se alimenta da raiva
Se sabota no presente.
E se nos jogamos em seu abismo
De mãos dadas ou separadas, tanto importa,
O Tempo se congela, e nos congela também
E a gravidade age em reverso;
Asas criamos.
E se realmente em queda livre vamos,
O abismo faz-se infinito
A gravidade fortalece ou o Tempo acelera, tanto importa,
Voamos sem asas.
O fim existe e não existe
Se constrói e descontrói
Eternamente acabáveis somos nós.
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Ditadura da Rotina
Nem sempre haverão novos lugares para se ir
Nem coisas para falar
E talvez nem emoções para sentir.
Quem sabe a banalidade vire ditadura,
E o único lugar a salvo seja dentro de nós
Recriando o presente pelo passado.
Mas será que ainda algum dia
O amor virará banalidade
E desistir seja a única liberdade?
Nem coisas para falar
E talvez nem emoções para sentir.
Quem sabe a banalidade vire ditadura,
E o único lugar a salvo seja dentro de nós
Recriando o presente pelo passado.
Mas será que ainda algum dia
O amor virará banalidade
E desistir seja a única liberdade?
domingo, 27 de novembro de 2011
Sobre a Vontade
Desejo-te a cada poro do meu corpo
Tomas o espírito e queres coordenar minhas ações
E se achas que te impeço por querer próprio, tu se enganas,
Tua essência é liberdade
E liberdade é tudo que posso desejar.
Porém, bem sabes que desejos são proibidos;
Está na hora de ires
Retornar às memórias ainda não tomadas por aquele que o presente governa
E se der, espero que lá tenhas o espaço desejado por ti
Para que possas me abrir, explorar, amar, libertar
E se não tiveres, vá sempre o mais fundo
Não desistas
Que há de haver um lugar que seja, um canto qualquer
Um escanteio de recordação ainda vazio
Uma encruzilhada ensangüentada de pecado.
E saibas que te quero a mim, assim como tinha antes
Mas tudo está ditado, tudo está prescrito
As leis foram subjugadas, o clamor do eu jaz vencido
E agora, vá, Vontade, pois não és tu que mantém a estabilidade
É dito que a tua alma é desgraça
E apenas a ditadura da razão que conserva a moral imaculada.
sábado, 19 de novembro de 2011
Sobre as Palavras Mudas
Não durmo
Não pisco
Não fecho os olhos
Na esperança cega e um tanto inútil de que tal negação me iluda da realidade das visões dos seus lábios beijando outros lábios
Das suas mãos tomando outras mãos
Do teu corpo em profusão a outro corpo
Da sua alma em amor a outra alma.
E desconfio interminavelmente dos seus dizeres de amor
Tão puros e sinceros quanto a sua natureza fugaz e indiferente
Que esquece sem perceber a lástima das memórias
E apaga a paixão sufocando-a com braços de amor com dignidade de ódio malévolo
Enquanto ponho-me a afundar em sangue de meu coração despedaçado por palpitantes apelos mudos
Com suspiros nunca concretizados pelos pulmões cravejados de dúvidas
Com lágrimas nunca choradas por olhos tonteados de incertezas
E com palavras nunca ditas por uma alma frágil
E enxuta de emoções covardes de um ser triste e corrompido
Pelas recordações das felicidades (in)existentes.
Assinar:
Postagens (Atom)