grita, demônio
pede tua parte do bolo
não implore; mande
mande que a razão é fraca
e saia, razão!
vá para longe, que tu não és mais bem-vinda aqui
quero arte, quero poesia
poesia que saia da alma, e que ecoe pelo submundo
infestada de fantasmas
alimentada de loucura
sinfonia infernal do ser
a arte final espírito.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Contra o Tempo
perdidos nos teus ponteiros alucinados
corremos na escuridão infinita
trombando uns com os outros
nos atropelando e nos massificando
desculpa, estranho, desculpa
mas é preciso correr, é preciso achar a saída
antes que eu e tu acabemos por enlouquecer
mas que se for para acontecer, que sejas tu
e não eu
e assim, trancafiados nos teus minutos eternos
nos abandonamos
nos destruimos
nos (des)humanizamos.
corremos na escuridão infinita
trombando uns com os outros
nos atropelando e nos massificando
desculpa, estranho, desculpa
mas é preciso correr, é preciso achar a saída
antes que eu e tu acabemos por enlouquecer
mas que se for para acontecer, que sejas tu
e não eu
e assim, trancafiados nos teus minutos eternos
nos abandonamos
nos destruimos
nos (des)humanizamos.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
O Instantâneo do Infinito
em cada esquina das ruas desarmadas
caço a tua presença
busca dilacerante de corpo e alma
ser e divino unidos por um momento
tão instantâneo e poderoso quanto a infinidade
mas ao mesmo tempo tão frágil quanto a lembrança que o cria
e nas boates, nos postos, nos bares
vou te procurar, clamar, achar
tentando em vão materializar a eternidade do que me resta:
o teu sorriso petrificado
os teus olhos desvairados.
caço a tua presença
busca dilacerante de corpo e alma
ser e divino unidos por um momento
tão instantâneo e poderoso quanto a infinidade
mas ao mesmo tempo tão frágil quanto a lembrança que o cria
e nas boates, nos postos, nos bares
vou te procurar, clamar, achar
tentando em vão materializar a eternidade do que me resta:
o teu sorriso petrificado
os teus olhos desvairados.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Carnaval
das emoções perdidas do ser
faz-se a poesia dos corpos em coro
aprisionados dentro de ruas de paralelepípedos
e libertos dentro do céu da alma
duas garrafas de cerveja
um ou dois goles da cachaça
ah, sim,
um pouco mais que duas garrafas de cerveja!
agora, cante, ser!
agora, cante, povo!
cante que a vida é mais que perdição
cante que o Tempo é mais que destruição
agora, viva, ser!
e agora, viva, povo!
viva que o amor nem sempre é eterno
viva que os dias ainda são de carnaval.
faz-se a poesia dos corpos em coro
aprisionados dentro de ruas de paralelepípedos
e libertos dentro do céu da alma
duas garrafas de cerveja
um ou dois goles da cachaça
ah, sim,
um pouco mais que duas garrafas de cerveja!
agora, cante, ser!
agora, cante, povo!
cante que a vida é mais que perdição
cante que o Tempo é mais que destruição
agora, viva, ser!
e agora, viva, povo!
viva que o amor nem sempre é eterno
viva que os dias ainda são de carnaval.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Areia Congelada
os segundos andam
os minutos correm
as horas empilham-se
mas estagnado o relógio do ser está
e os dias se não se sucedem, somam-se
um mais um, mais um, mais um;
valores iguais para cartas diferentes
segunda vira terça, terça vira quarta
calendário prossegue, e calendário acaba
porém toda a minha semana é domingo
domingo vira domingo, que virará domingo
e assim congela-se o Tempo
talvez não o seu, mas apenas o meu.
os minutos correm
as horas empilham-se
mas estagnado o relógio do ser está
e os dias se não se sucedem, somam-se
um mais um, mais um, mais um;
valores iguais para cartas diferentes
segunda vira terça, terça vira quarta
calendário prossegue, e calendário acaba
porém toda a minha semana é domingo
domingo vira domingo, que virará domingo
e assim congela-se o Tempo
talvez não o seu, mas apenas o meu.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Eu, Você e os Outros
grãos de areia
fragmentos de pedra
cacos de vidro
poeira cósmica
coplanares, existentes, reais
materiais, ausentes, complementares
perdidos, desencaminhados, indiferentes
eu, você e os outros.
fragmentos de pedra
cacos de vidro
poeira cósmica
coplanares, existentes, reais
materiais, ausentes, complementares
perdidos, desencaminhados, indiferentes
eu, você e os outros.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Sobre a Morte da Flor
desistiu.
que os jornais noticiem, os escritores escrevam
os poetas iludam, os emotivos chorem,
os filósofos pensem, os indiferentes ignorem
mas que se respeite o fato consumado bem como foi
que se respeite a luta acirrada contra o senhor de tudo
que se eternalize nas faculdades memoriais o sofrimento tido
porém não com o demasiado respeito que altera as cores antigas
as substitui do vivo resplandescente para o fosco morto
que na morte já há o cadáver a se enterrar, o odor amargo a exalar.
que os jornais noticiem, os escritores escrevam
os poetas iludam, os emotivos chorem,
os filósofos pensem, os indiferentes ignorem
mas que se respeite o fato consumado bem como foi
que se respeite a luta acirrada contra o senhor de tudo
que se eternalize nas faculdades memoriais o sofrimento tido
porém não com o demasiado respeito que altera as cores antigas
as substitui do vivo resplandescente para o fosco morto
que na morte já há o cadáver a se enterrar, o odor amargo a exalar.
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