vamos, diga sim
aceite, uma palavra, não é grande coisa
talvez seja, mas vamos fingir que não é
dizem que estresse dá câncer
assim como peixes contaminados no Japão
banha de porco norte-americana e o ar de São Paulo
mas venha, diga sim
não tem problema ser mulher com mulher
esse padre não liga para os pequenos detalhes do contrato
você não percebe? ele só não quer ser jogado no mar de cadáveres
além do mais, quem quer?
um bote, mesmo que gélido, ainda é melhor que o mar
agora esqueça também os detalhes e aceite
não se esqueça: nem todo cadáver ali está morto
é muita pressão? é estressante demais? te dará câncer?
ah, fique tranquila, até o câncer tem as suas restrições de existir
como você pode esquecer
que células mortas não se multiplicam?
sim! dê-me sua mão, o anel foi feito para os seus dedos
um par de alianças, um padre num bote a navegar
temos de admitir: eu sei ser elegante.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
domingo, 15 de abril de 2012
Cosmos e Cacos
a noite vai lenta dentro de si
fechada como um túmulo de padre
esquecida como uma cova de suicida
venha, toque-me!
é preciso humanidade para isso
eu e você somos apenas indigentes dentro da noite
toque-me e vamos para o suicídio!
você sabe que morrer nem sempre é ruim
às vezes morrer nem é definitivo
la petite mort, la petite mort, é o que queremos
la petite mort et une cigarette, é o que todos querem
um toque, apenas um toque, dê-me a mão e já estarei feliz
humanidade, humanidade vale mais que qualquer gozo de amor
gozo é só som e fúria, mesmo que seja sob a lua
só a mão, juro que será só a mão
pois nem sempre precisamos rolar sobre os cacos
nem sempre precisamos nos estatelar nos cosmos.
fechada como um túmulo de padre
esquecida como uma cova de suicida
venha, toque-me!
é preciso humanidade para isso
eu e você somos apenas indigentes dentro da noite
toque-me e vamos para o suicídio!
você sabe que morrer nem sempre é ruim
às vezes morrer nem é definitivo
la petite mort, la petite mort, é o que queremos
la petite mort et une cigarette, é o que todos querem
um toque, apenas um toque, dê-me a mão e já estarei feliz
humanidade, humanidade vale mais que qualquer gozo de amor
gozo é só som e fúria, mesmo que seja sob a lua
só a mão, juro que será só a mão
pois nem sempre precisamos rolar sobre os cacos
nem sempre precisamos nos estatelar nos cosmos.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Só Uma Migalha de Esperança
através de todos os dias
vagando por corredores infinitos cheios de portas
trancadas
vazios cheios de almas perdidas
que olham umas às outras reconhecendo no negro dos olhos
a mesma ausência da razão, a mesma falta do sentido
os mesmos buracos infinitos rumo ao nada que o Tempo devora
com boca de baleia, caninos de leão,
espírito de burguês diante do ouro
veracidade de humano frente ao poder de mandar
desmandar, humilhar, possuir
consumir, estuprar, os sonhos alheios
até que reste uma migalha de esperança, só uma apenas
para dignificar a vida que ainda resta
pois a morte não dá poder a quem manda
e muito menos o ouro a quem o cobiça
a morte apenas alivia a dor daquele que sofre
liberta aqueles que da liberdade foram privados
por terem os sonhos estraçalhados.
vagando por corredores infinitos cheios de portas
trancadas
vazios cheios de almas perdidas
que olham umas às outras reconhecendo no negro dos olhos
a mesma ausência da razão, a mesma falta do sentido
os mesmos buracos infinitos rumo ao nada que o Tempo devora
com boca de baleia, caninos de leão,
espírito de burguês diante do ouro
veracidade de humano frente ao poder de mandar
desmandar, humilhar, possuir
consumir, estuprar, os sonhos alheios
até que reste uma migalha de esperança, só uma apenas
para dignificar a vida que ainda resta
pois a morte não dá poder a quem manda
e muito menos o ouro a quem o cobiça
a morte apenas alivia a dor daquele que sofre
liberta aqueles que da liberdade foram privados
por terem os sonhos estraçalhados.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Loucos de Entorpecimento
a liberdade é o bem maior
o fim que dispensa os meios
mas já somos livres, não?
a ditadura foi derrubada
vivemos numa república
democracia, do grego povo
no poder
povo na ilusão de ter poder
poder de ser livre.
mas a liberdade já foi adquirida, se esqueceu?
(tolo!, comunista!, anarquista!)
a liberdade já foi adquirida, você não vê?
(maluco!, louco!, neurótico!)
alguém chame um médico, alguém ligue para um hospício
temos um caso de ausência de cegueira midiática
temos um caso de crise de realidade falsa.
ah, finalmente vocês vieram!
rápido, levem-o para longe, para além daqueles jornais de esquerda
há indícios que a doença é contagiosa, há prontuários médicos bizonhos
o governo quer medidas para o século passado
reconstruam o muro, custe o que custar
o fim sempre justifica os meios, ainda mais se ninguém vê
mas não quebrem os ossos, não estuprem seu corpo
apenas fodam a sua mente e corrompam a sua alma
o doutor disse uma dose alta de televisão e duas pitadas de direitismo
mas se quiserem, incluam uma boa tortura medieval
porque aquilo que ninguêm vê não afeta a indiferença que todos sentem.
o fim que dispensa os meios
mas já somos livres, não?
a ditadura foi derrubada
vivemos numa república
democracia, do grego povo
no poder
povo na ilusão de ter poder
poder de ser livre.
mas a liberdade já foi adquirida, se esqueceu?
(tolo!, comunista!, anarquista!)
a liberdade já foi adquirida, você não vê?
(maluco!, louco!, neurótico!)
alguém chame um médico, alguém ligue para um hospício
temos um caso de ausência de cegueira midiática
temos um caso de crise de realidade falsa.
ah, finalmente vocês vieram!
rápido, levem-o para longe, para além daqueles jornais de esquerda
há indícios que a doença é contagiosa, há prontuários médicos bizonhos
o governo quer medidas para o século passado
reconstruam o muro, custe o que custar
o fim sempre justifica os meios, ainda mais se ninguém vê
mas não quebrem os ossos, não estuprem seu corpo
apenas fodam a sua mente e corrompam a sua alma
o doutor disse uma dose alta de televisão e duas pitadas de direitismo
mas se quiserem, incluam uma boa tortura medieval
porque aquilo que ninguêm vê não afeta a indiferença que todos sentem.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Musas
toco-te o corpo com meus dedos frígidos
tremendo à aproximação da tua aura
campo magnético invisível e letal
sinto o corpo, mas não a alma
quero a alma, mas só tenho o corpo
variáveis auto-anulantes
variáveis auto-destrutivas
e te exploro, consumo, estupro
arranco as lágrimas, os gemidos, o urro final de deleite sereno
enquanto a alma se mudifica e observa inexpressa
pois o corpo,
o corpo é o que menos importa.
tremendo à aproximação da tua aura
campo magnético invisível e letal
sinto o corpo, mas não a alma
quero a alma, mas só tenho o corpo
variáveis auto-anulantes
variáveis auto-destrutivas
e te exploro, consumo, estupro
arranco as lágrimas, os gemidos, o urro final de deleite sereno
enquanto a alma se mudifica e observa inexpressa
pois o corpo,
o corpo é o que menos importa.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Da Loucura
grita, demônio
pede tua parte do bolo
não implore; mande
mande que a razão é fraca
e saia, razão!
vá para longe, que tu não és mais bem-vinda aqui
quero arte, quero poesia
poesia que saia da alma, e que ecoe pelo submundo
infestada de fantasmas
alimentada de loucura
sinfonia infernal do ser
a arte final espírito.
pede tua parte do bolo
não implore; mande
mande que a razão é fraca
e saia, razão!
vá para longe, que tu não és mais bem-vinda aqui
quero arte, quero poesia
poesia que saia da alma, e que ecoe pelo submundo
infestada de fantasmas
alimentada de loucura
sinfonia infernal do ser
a arte final espírito.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Contra o Tempo
perdidos nos teus ponteiros alucinados
corremos na escuridão infinita
trombando uns com os outros
nos atropelando e nos massificando
desculpa, estranho, desculpa
mas é preciso correr, é preciso achar a saída
antes que eu e tu acabemos por enlouquecer
mas que se for para acontecer, que sejas tu
e não eu
e assim, trancafiados nos teus minutos eternos
nos abandonamos
nos destruimos
nos (des)humanizamos.
corremos na escuridão infinita
trombando uns com os outros
nos atropelando e nos massificando
desculpa, estranho, desculpa
mas é preciso correr, é preciso achar a saída
antes que eu e tu acabemos por enlouquecer
mas que se for para acontecer, que sejas tu
e não eu
e assim, trancafiados nos teus minutos eternos
nos abandonamos
nos destruimos
nos (des)humanizamos.
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