me afundo em olhares alheios em ruas desconhecidas
me deixo conduzir, levar, fluir
acreditar em deuses inexistentes
macacos tocando tambores dentro de almas corruptíveis
castanhos profundos e azuis melancólicos
torcendo para que alguém
um ser, macaco, vida, cachorro
consiga ir além do azul e do verde da íris entopercida
controlada de sanidade humana
feita de cidade trafegada de automóveis sem combustível
inútil aos olhos dos loucos, sem graça aos olhos dos sãos
o misto entre vazio total e inexistência absoluta
cuja única beleza é modificar a luz do mundo
iludir pela força das cores
ludibriar pela força do infinito de tons que existe
entre o tudo e o infinito do mundo que só eu habito.
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