me afundo em olhares alheios em ruas desconhecidas
me deixo conduzir, levar, fluir
acreditar em deuses inexistentes
macacos tocando tambores dentro de almas corruptíveis
castanhos profundos e azuis melancólicos
torcendo para que alguém
um ser, macaco, vida, cachorro
consiga ir além do azul e do verde da íris entopercida
controlada de sanidade humana
feita de cidade trafegada de automóveis sem combustível
inútil aos olhos dos loucos, sem graça aos olhos dos sãos
o misto entre vazio total e inexistência absoluta
cuja única beleza é modificar a luz do mundo
iludir pela força das cores
ludibriar pela força do infinito de tons que existe
entre o tudo e o infinito do mundo que só eu habito.
domingo, 8 de julho de 2012
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Nós e Fluxos
o Tempo nos amordaça e doma
e sacaneia a todo instante
os fluxos certos
os nós errados
rindo de nossa desgraça ele fica
parado o sorriso cínico
os olhos que de tão insanos de maldade
tornam-se bons ao fim
mas no âmago da língua de serpente
ele prende a gargalhada
saber que deus escreve torto
por linhas certas
o garrancho divino da vida
que escapa a todo tempo
tudo o que podia ter sido
tudo o que não foi
preso nos olhos do relógio
tic-tac, senhor
os fluxos certos
os nós errados
e a areia escapando
para longe de nós.
e sacaneia a todo instante
os fluxos certos
os nós errados
rindo de nossa desgraça ele fica
parado o sorriso cínico
os olhos que de tão insanos de maldade
tornam-se bons ao fim
mas no âmago da língua de serpente
ele prende a gargalhada
saber que deus escreve torto
por linhas certas
o garrancho divino da vida
que escapa a todo tempo
tudo o que podia ter sido
tudo o que não foi
preso nos olhos do relógio
tic-tac, senhor
os fluxos certos
os nós errados
e a areia escapando
para longe de nós.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Sonhos Enlatados
eu preciso de uma
viagem
mas aliás, quem não precisa
de algo para tirar da doce rotina
(doce? doce uma ova!
amarga, gosto de tempo escorrendo pela garganta
ácida pelas entranhas)
quem não precisa de um algo qualquer
que gere o caos, quebre a inércia do lago calmo
desalinhe o cosmo de todos os dias
dia? quem precisa de dia, afinal?
ontem, hoje, amanhã, tudo projétil
da mesma pistola universal
projetada para seis bilhões de cabeças de gado
com cheiro de pólvora para as que se foram hoje
você bem sabe, baby, que todos se vão
em algum momento
e com você, ou comigo, não será nada
diferente
quem vive sempre pode morrer
fétido clichê que nos rouba a noite
vamos fugir para nosso sonhos, então!
vamos sim
vamos para lá, onde o Tempo não
existe
o Tempo lá é nosso serviçal
(ha-ha-ha-ha, ilusão!)
onde se pode misturar os três tempos
e mais o de tudo que existe
sem álcool, sem drogas, sem alucinação
apenas um pouco de desprendimento com a vida
apenas um pouco de loucura genuína
para tornar tudo ao menos um pouco mais
divertido
e vamos viver nos nossos sonhos
a ilusão de termos o comando do que há
lembra-se de quando querias
ser astronauta? de quando querias
mudar o mundo? de quando querias
morrer pela causa?
o que houve com tudo o que sonhavas, amigo
tudo morreu?
ou será que os dias vieram e a utopia se trocou
por realidade
e indigestão virou
indiferença?
e agora seu sonho é o que? a vida calma do campo
vaquinhas, uma fazendo bonita
família linda, esposa feliz, cachorro babão
um porco, quem sabe, um porco bem rosado e sem lama
um lugar para fugir do Tempo
ontem, hoje e amanhã sejam nada mais
que a mesma coisa, o mesmo ar, a mesma grama
nada mais que umas estações mudando hora sim, hora não
vamos ali no supermercado comprar
mais uma lata de sonho feliz
nada de revolução, utopia, loucura
liberdade
apenas mais um sonho feliz enlatado
com data de validade para deixarmos apodrecer
dentro de nós.
viagem
mas aliás, quem não precisa
de algo para tirar da doce rotina
(doce? doce uma ova!
amarga, gosto de tempo escorrendo pela garganta
ácida pelas entranhas)
quem não precisa de um algo qualquer
que gere o caos, quebre a inércia do lago calmo
desalinhe o cosmo de todos os dias
dia? quem precisa de dia, afinal?
ontem, hoje, amanhã, tudo projétil
da mesma pistola universal
projetada para seis bilhões de cabeças de gado
com cheiro de pólvora para as que se foram hoje
você bem sabe, baby, que todos se vão
em algum momento
e com você, ou comigo, não será nada
diferente
quem vive sempre pode morrer
fétido clichê que nos rouba a noite
vamos fugir para nosso sonhos, então!
vamos sim
vamos para lá, onde o Tempo não
existe
o Tempo lá é nosso serviçal
(ha-ha-ha-ha, ilusão!)
onde se pode misturar os três tempos
e mais o de tudo que existe
sem álcool, sem drogas, sem alucinação
apenas um pouco de desprendimento com a vida
apenas um pouco de loucura genuína
para tornar tudo ao menos um pouco mais
divertido
e vamos viver nos nossos sonhos
a ilusão de termos o comando do que há
lembra-se de quando querias
ser astronauta? de quando querias
mudar o mundo? de quando querias
morrer pela causa?
o que houve com tudo o que sonhavas, amigo
tudo morreu?
ou será que os dias vieram e a utopia se trocou
por realidade
e indigestão virou
indiferença?
e agora seu sonho é o que? a vida calma do campo
vaquinhas, uma fazendo bonita
família linda, esposa feliz, cachorro babão
um porco, quem sabe, um porco bem rosado e sem lama
um lugar para fugir do Tempo
ontem, hoje e amanhã sejam nada mais
que a mesma coisa, o mesmo ar, a mesma grama
nada mais que umas estações mudando hora sim, hora não
vamos ali no supermercado comprar
mais uma lata de sonho feliz
nada de revolução, utopia, loucura
liberdade
apenas mais um sonho feliz enlatado
com data de validade para deixarmos apodrecer
dentro de nós.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Só a Morte Goza
somos as crias de uma geração fracassada
os frutos mesquinhos de algo que se foi
ideologia não temos
sangue não queremos
nem cabeças rolando, nem asas voando
queremos tanto o carro quanto a paz
a harmonia de se viver drogado de indiferença
a arte de nunca sentir o mundo
levados pela maré de neón mc donaldiana
carnes super produzidas, cebolas quânticas
água cocalonesca, frangos perdiganos
afogados até o talo de nossos rabos em logotipos
sem sentirmos dor
anestesiados de vaselina virtual
acreditando em deuses mortais da tv fama
xingando demônios do jornal nacional
e esquecendo da mão suprema do Tempo
estilhaçando nossos pulmões enquanto gememos e rimos
com as mulheres da indústria pornô no teatro de gozar
sem jamais perceber que só a Morte que goza no final.
os frutos mesquinhos de algo que se foi
ideologia não temos
sangue não queremos
nem cabeças rolando, nem asas voando
queremos tanto o carro quanto a paz
a harmonia de se viver drogado de indiferença
a arte de nunca sentir o mundo
levados pela maré de neón mc donaldiana
carnes super produzidas, cebolas quânticas
água cocalonesca, frangos perdiganos
afogados até o talo de nossos rabos em logotipos
sem sentirmos dor
anestesiados de vaselina virtual
acreditando em deuses mortais da tv fama
xingando demônios do jornal nacional
e esquecendo da mão suprema do Tempo
estilhaçando nossos pulmões enquanto gememos e rimos
com as mulheres da indústria pornô no teatro de gozar
sem jamais perceber que só a Morte que goza no final.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
A Luta
dentro de cada suspiro caloroso há
um sopro que seja, uma fagulha que fosse
de energia vibrante, de pulso de vida
mesmo enquanto os batimentos decrescem
e a mente se fecha na escuridão
dentro de cada suspiro ainda há
um flash de esperança
talvez tão curto e definitivo quanto o calor
dentro de cada suspiro.
e cada suspiro carrega em si a força auto-destrutiva
a cegueira que nos impede de ver
de aceitar que a morte é realidade, é constância
que quem vive sempre vive
o risco de morrer
se não hoje, amanhã talvez, ou ontem que tenha sido.
mas é também em cada suspiro
que garantimos o que temos
asseguramos que tentamos, que lutamos
e mesmo que se apague, e mesmo que um suspiro
seja o último
pouca importa o suspiro que foi ou o que será
pois o mais importante você já fez:
encarou os olhos da Morte
cuspiu em teu manto negro
e lutou com uma das certezas que dignifica a vida
que alguém te amava com mais força
do que a Morte te queria.
Uma homenagem a um ser que nunca conheci.
Pois só vivem de verdade aqueles que bombeiam sangue
por mais de um coração. E ele viveu. Adeus.
um sopro que seja, uma fagulha que fosse
de energia vibrante, de pulso de vida
mesmo enquanto os batimentos decrescem
e a mente se fecha na escuridão
dentro de cada suspiro ainda há
um flash de esperança
talvez tão curto e definitivo quanto o calor
dentro de cada suspiro.
e cada suspiro carrega em si a força auto-destrutiva
a cegueira que nos impede de ver
de aceitar que a morte é realidade, é constância
que quem vive sempre vive
o risco de morrer
se não hoje, amanhã talvez, ou ontem que tenha sido.
mas é também em cada suspiro
que garantimos o que temos
asseguramos que tentamos, que lutamos
e mesmo que se apague, e mesmo que um suspiro
seja o último
pouca importa o suspiro que foi ou o que será
pois o mais importante você já fez:
encarou os olhos da Morte
cuspiu em teu manto negro
e lutou com uma das certezas que dignifica a vida
que alguém te amava com mais força
do que a Morte te queria.
Uma homenagem a um ser que nunca conheci.
Pois só vivem de verdade aqueles que bombeiam sangue
por mais de um coração. E ele viveu. Adeus.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Presente aos Mortos
os vivos só lembram de seus mortos,
como se fosse um favor, um anestésico da dor
pobres são eles, ali dentro de seus caixões
imprensados por terra e estrume,
folhas secas e rosas desidratadas
e assim choram suas lágrimas em sinal de honra
penduram fotos nas paredes da sala
andam com as jóias dos defuntos
se pudessem vestiriam seus paletós enjaulados
enquanto os mortos riem e brincam entre si
seja debaixo da terra ou no ar
ou seja no infinito da inexistência
pois só aos mortos que cabe a liberdade do abandono ao Tempo.
como se fosse um favor, um anestésico da dor
pobres são eles, ali dentro de seus caixões
imprensados por terra e estrume,
folhas secas e rosas desidratadas
e assim choram suas lágrimas em sinal de honra
penduram fotos nas paredes da sala
andam com as jóias dos defuntos
se pudessem vestiriam seus paletós enjaulados
enquanto os mortos riem e brincam entre si
seja debaixo da terra ou no ar
ou seja no infinito da inexistência
pois só aos mortos que cabe a liberdade do abandono ao Tempo.
domingo, 13 de maio de 2012
Progresso
os apartamentos encolhem
nos enterramos em cubículos
não há espaço para vivos ou mortos
enquanto a cidade se alimenta de si mesma
casas viram prédios, prédios viram prédios maiores
é o progresso, todos dizem
pois o lugar do velho é dentro das memórias
mas só até que o Tempo venha
seja disfarçado de morte
seja de alzheimer, tanto faz
é tudo esquecimento, vira tudo ilusão.
irônico pensar que os muros guardam mais de suas pixações
do que nós das pessoas que amamos.
nos enterramos em cubículos
não há espaço para vivos ou mortos
enquanto a cidade se alimenta de si mesma
casas viram prédios, prédios viram prédios maiores
é o progresso, todos dizem
pois o lugar do velho é dentro das memórias
mas só até que o Tempo venha
seja disfarçado de morte
seja de alzheimer, tanto faz
é tudo esquecimento, vira tudo ilusão.
irônico pensar que os muros guardam mais de suas pixações
do que nós das pessoas que amamos.
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